Certa feita, o Rei quis brincar com sua corte, preparou um jantar diferente, sem nenhum propósito visível, a não ser o deleite de todos, inclusive o seu. Só que sua preocupação maior, não era degustar os pratos maravilhosos da sua cozinha real, e sim deliciar-se com os gozos de sua corte. Propositalmente, decorou a sala de jantar de forma a instigar os sentidos sexuais de sua contida corte, queria liberá-los de seus “deveres morais” como se liberta perfumes de seus frascos. Escolheu cores fortes, rosas vermelhas e obras de arte com conotação sexual, sem que isso fosse perceptível demais, afinal os queria livres, não envergonhados do que tudo aquilo os causava, o despertar de suas libidos. Ordenou que para o jantar fosse usada uma longa e estreita mesa, em que só coubessem os pratos e taças de seus convidados, e que estes chegassem, se assim desejado, a tocar o outro com seus pés, mas que isso não fosse um caos, mas trouxesse uma aproximação com estas pessoas.
Ele conhecia cada nobre, cada desejo mais obscuro, era o seu dom, olhar e perceber o desejo mais contido, a luxúria mais negada. Ele sentia isso no olhar, no movimento que o peito fazia durante a respiração, por traz de todos aqueles panos. Dispôs assim, cada casal separado na mesa, ninguém questionou, era a vontade do rei. Cada um sentado de frente àquele que lhe despertava forte desejo sexual, ou mais, àquele a quem, ele sabia, tinha em algum momento, ou ainda o fazia, sucumbido a romances secretos.
Ao se acomodarem na mesa de jantar, sem ter nem comentado uns com os outros o apelo sexual que toda aquela reunião estava tendo, até porque eles sentiam, mas não percebiam diretamente. Depararam-se com a ordenação dos assentos, todos dispostos frente à frente com o pecado. Muitos olhos que se encontraram, fizeram faces abarrotadas de pó de arroz corarem, mãos gelarem, corações baterem mais rápido, a respiração ofegante e os pensamentos libidinosos logo vieram. Não chegaram a estranhar a mesa tão estreita, o Rei, inventava muita moda, e era bem cômodo a eles, ao menos, se tocarem por baixo dos panos da mesa, que cheirava a vinho e comidas picantes. Nem toda a corte interessava tanto ao Rei, só os mais pudicos tinham sido convidados – e se achavam tão merecedores disto, afinal os outros nobres, não eram assim tão nobres, eles sim, porque se continham, ou porque fingiam conter seus desejos ‘impuros’. O Rei olhava muito interessado os rostos rubros pelo desejo, as bocas que não sabiam se fechavam, se falavam algo ou se calavam pelo resto da noite. Muitos não ficaram contentes com a dispersão dos casais, e apesar de não ter nem ousado comentar uma escolha Real, sentiram ciúmes de seus pares, que eles sabiam estar frente a sua maior tentação, afinal isso também acontecia a eles, mas a preocupação do egoísta é tamanha, que preocupa-se mais em não ser traído que ter o prazer de trair.
Então, o Duque começou a falar sobre cavalos, e de sua paixão pela montaria, talvez incentivado pela forte vontade de ter a mulher em sua frente a cavalgar em si por toda a noite, enquanto tentava pensar em cavalos, se via por baixo daquela mulher, vendo seus seios balançarem, pra cima, pra baixo, e aqueles dentes brancos mordiscarem o lábio inferior, com tal força que a intenção parecia ser rasgá-los e libertar o sangue que os fazia tão vermelhos, por um instante ele teve impressão de ver sangue escorrer nos lábios dela, então logo baixou a cabeça e começou a ouvir o que os outros diziam e a conversa prosseguia, com assuntos cada vez mais ligados ao ato sexual. Nenhuma palavra Real era pronunciada, Ele tinha o intuito de não influenciar nenhum pensamento, ficava em silêncio a observar e sorrir meio-sorrisos. Tentava adivinhar cada fantasia que as pessoas a sua frente estavam tendo naquele momento, notando que nenhuma estava realmente interessada no assunto em pauta. Esperava o momento em que todo aquele desejo iria ebulir. Não foi surpresa quando observou a Viscondessa com ares marotos provocar no homem a sua frente uma surpresa agradável. Primeiro, os olhos deles arregalaram e depois um sorriso agradável e quase discreto surgiu em seus lábios. Os pés da jovem viscondessa roçavam de leve as suas pernas, e logo subiram e chegaram a um lugar que nem ele imaginava que pudesse chegar, e lá faziam movimentos sem muita dificuldade e que o deixara em apuros, disfarçar o que aquilo causava era quase impossível para este homem. E como acompanhando a viscondessa em sua idéia, tomou a iniciativa de tocar a mulher, ela não pareceu assustada, o Rei observou também que existia um fogo em seus olhar e seu sorriso. A mulher à quem tocava o Conde era muito mais jovem que ele, recém chegada a corte, mal sabia falar a língua local. Seu casamento fora planejado, para unir as riquezas de duas famílias, como era comum à nobreza. O homem a sua frente lhe despertava de início uma leve curiosidade, mas agora, naquele momento em que sua pele aveludada, era tocada pelos pés do Conde calçados em meias suaves de seda, lhe fazia arrepiar, coisa que não sentia com o homem a quem fora desposada, que nunca a tocou intimamente. Pois este – como indicavam as más línguas – em toda a vida, nunca tocou uma mulher. Por baixo das anáguas, a mulher estava em chamas, e não disfarçava tal coisa, havia deixado, no reino de onde viera, amantes desconsolados, e aqui já os fizera aos montes, discretamente, claro.
Todos a olhavam sem virar-se diretamente para ela. O Rei em virtude de tal comportamento da jovem nobre, e sabendo que isso causava estranheza em alguns poucos que não haviam entendido, ordenou que os seus servos se retirassem, com um simples olhar. Os servos se foram, o Rei notou os olhos confusos que acompanhavam os servos, era como se cada um daqueles que não haviam se deixado inspirar, houvesse naquele momento recebido uma sentença de morte. Nestes, havia muito mais medo do que regozijo pelo que poderiam fazer. A jovem que era acariciada por baixo das anáguas pelo Conde, invadida por descontrolado desejo, escorregou para baixo da estreita mesa, e tomou o membro do Conde em sua boca, todos à mesa tentavam fingir que nada viam, a expressão do homem era aterradora, suando muito, um punho fechado sobre a mesa, a outra mão segurando um lenço enxugava a testa, como quem passava mal, olhava para o teto, tentando não entregar o que todos já tinham conhecimento, arfava baixinho, reprimindo o prazer que sentia. A afogueada jovem sabia como desalinhar um homem, e o fazia ali, debaixo dos narizes de todos, como se lhes fosse invisível. Era voraz e delicada ao mesmo tempo no que fazia, suas mãos pequenas alisavam, seguravam, apertavam, enquanto sua língua úmida lambia, roçava… O homem gritou, segurando a cabeça da Viscondessa com as mãos e a apertando contra seu sexo, esquecido completamente dos demais, olhos fechados, boca aberta, cabeça estendida para trás. A mulher ainda se deliciava, quando se deu conta do que fazia, mas continuava, e sem sentir culpa alguma.
Todos tentaram, mas ninguém conseguiu ignorar, ao olharem para o homem ali, visivelmente esgotado pelo esforço de se conter no desenrolar do feito, e que agora parecia sozinho em seu quarto a libertar seus mais profundos desejos com uma mulher qualquer. Sua esposa, de olhos arregalados sentiu naquele momento um fervor, que não era bem ciúmes, pois nunca o amou, mas a licença para também deixar-se levar. Olhou o Duque, com quem já havia saído para agradáveis passeios no bosque regados a luxúria e bom vinho. E no olhar entregou sua disposição para a brincadeira que costumavam fazer, sem preocupação, mas com um pouco de dificuldade, levantou as anáguas do vestido e em meio a tantos panos, acariciava a si mesma, primeiro as pernas, com as pontas das unhas subindo devagar, depois, olhos fechados, sem nenhum pudor, toca seu sexo por cima dos panos, lá fica a roçar os dedos, na vontade de tê-los dentro de si, mas essa era a melhor parte, onde o desejo era maior, mas contê-lo era um agradável castigo. A parte do Duque na brincadeira era justamente ver as faces de sua amante corarem, a saliva aumentar, e chegar a escorrer no canto da boca, ouvir os leves gemidos, e ficar só observando aquela mulher, tendo-se, levando a si mesma a loucura de tanto prazer.
Já dois casais sucumbiam, enquanto os demais, perplexos, não continham a excitação que tudo lhes causava. Olhavam para o Rei, que se mantinha calmo, como se nada visse, e cada um entendia aos poucos o que acontecia, e entregavam-se ao amante, e aos seus desejos, até nos mais hipócritas, nos mais egoístas, já se via um lampejo de cobiça pelo pecado de que fugiam. A Condessa, já tinha afastado os panos, e fazia entrar seus dedos na sua própria carne quente, molhada. Nesse momento, soltou um gemido alto, e começou novos gemidos, cada vez mais frenéticos, uma das mãos afastava-lhe a roupa e tinha dedos enterrados em sua carne. A Duquesa, sentada ao lado de sua rival, embriagada pelo desejo que aquilo despertara em si, sem preocupar-se com o Duque que fazia sua parte na brincadeira, e nem com os outros, retorce o corpo para lamber a Condessa que delirava com o que causava a si mesma, sem se deter as intervenções de sua nova amante, beijou-lhe os lábios oferecidos, sem conhecê-los, permaneceu a delirar, de olhos fechados, enquanto a Duquesa descobria o que nem ela sabia ao certo, desnudava sua amante-rival, passeava lábios e língua naquela pele em brasa. Para o Duque a novidade não poderia ser mais que agradável, o jogo ficava mais difícil a cada ação de sua mulher para com a amante. A rigidez do seu membro revelado pelo tecido delicado de suas vestes causava frenesi no homem sentado ao seu lado, o Visconde, era um maduro amador de homens. Mesmo que desde o seu casamento, se houvesse questionado mais sua sexualidade, não tomava sua esposa, e continuava a sair com homens às escondidas. Ali, do seu lado, um homem pulsava de prazer, prazer contido, aquilo o fazia salivar, mesmo que olhasse para o lado, onde podia agora ver sua pequena esposa sentada sobre o Conde, tendo os seios tomados na boca, sugados, nem assim lhe saia da cabeça as calças do Duque quase por explodir, só aumentava sua vontade de entregar-se, pois tudo ali agora cheirava a sexo, tudo ali, desde o princípio, notava ele, era sexo. Como que tomado de uma súbita coragem, virou-se para o Duque, livrou-o de suas calças e segurou seu membro em suas mãos, e ele pulsava, como se preparando para explodir, ao ser assim tirado de seu jogo bruscamente, o Duque olhou por segundos nos olhos do Visconde, e sem saber o porquê, viu-se, seguidamente, tomar àquele homem, e aquilo lhe foi mais agradável que tomar sua esposa, ou sua própria amante. O Visconde, de roupas abaixadas, curvado à mesa, segurava um pedaço da manta que a cobria, chorava lágrimas de prazer e dor, gritava mais alto que os demais. Como num efeito dominó, agora, todos estavam submetidos aos deleites que julgavam pecado, Todos ali, eram amantes agora, e amantes dos amantes de seus amantes.
O Rei, alegre como quem acaba de pintar um belo quadro, aprecia tudo de sua cadeira, na altivez de quem não se deixa levar pelo que está a observar, admira todos os rostos moldados pelo gozo, as bocas abertas, a saliva como bálsamo de beijos, os olhos fechados, com as pálpebras comprimidas pelo prazer. Vitorioso, sorve mais um gole de vinho, fecha os olhos,e em sua mente, todos os gemidos, os arfares, os gritos, os risinhos, são então, aos seus ouvidos, uma bela sinfonia.
Nenhum Orgasmo para este Conto...
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