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23
DEZ
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O Jantar Real da mesa estreita

bacanal

Certa feita, o Rei quis brincar com sua corte, preparou um jantar diferente, sem nenhum propósito visível, a não ser o deleite de todos, inclusive o seu. Só que sua preocupação maior, não era degustar os pratos maravilhosos da sua cozinha real, e sim deliciar-se com os gozos de sua corte. Propositalmente, decorou a sala de jantar de forma a instigar os sentidos sexuais de sua contida corte, queria liberá-los de seus “deveres morais” como se liberta perfumes de seus frascos. Escolheu cores fortes, rosas vermelhas e obras de arte com conotação sexual, sem que isso fosse perceptível demais, afinal os queria livres, não envergonhados do que tudo aquilo os causava, o despertar de suas libidos. Ordenou que para o jantar fosse usada uma longa e estreita mesa, em que só coubessem os pratos e taças de seus convidados, e que estes chegassem, se assim desejado, a tocar o outro com seus pés, mas que isso não fosse um caos, mas trouxesse uma aproximação com estas pessoas.

Ele conhecia cada nobre, cada desejo mais obscuro, era o seu dom, olhar e perceber o desejo mais contido, a luxúria mais negada. Ele sentia isso no olhar, no movimento que o peito fazia durante a respiração, por traz de todos aqueles panos. Dispôs assim, cada casal separado na mesa, ninguém questionou, era a vontade do rei. Cada um sentado de frente àquele que lhe despertava forte desejo sexual, ou mais, àquele a quem, ele sabia, tinha em algum momento, ou ainda o fazia, sucumbido a romances secretos.

21
DEZ
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Ledo engano

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Fim de ano, um tanto de estresse com a quantidade de compromissos. Mas, as festas deste período não deixam por menos. De todas, essas são as melhores, é onde me jogo mais. Onde me liberto. Talvez para dar um break na correria, espantar os fantasmas e dar a cara à tapa com mais coragem no ano novo.

Recebi vários convites para o réveillon, e como meu espírito pedia, escolhi a provável mais louca de todas. Denis e Fábio davam as melhores e mais insanas festas. Geralmente com o público mais gay possível. E como eu estava solteira há bem pouco tempo, mas com uma mágoa de dar dó, resolvi curá-las com a primeira garota que encontrasse afim, ou garotas.

10
DEZ
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Madelleine e suas “tias”

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Madelleine tinha já seus 19 anos, mas era tímida e retraída, comportava-se, e até aparentava, ter menos idade. Apenas olhando, davam-lhe no máximo 16. Muito caseira, prosseguia sua vida de estudos. Fazia cursinho para o vestibular, era o único lugar que frequentava, exceto pelas missas matinais do domingo. Quando se via em meio a pessoas desconhecidas, ficava se encolhendo, como se quisesse passar despercebida, ou fazer-se tão pequena que sumisse. Filha única de mãe solteira, estava sempre ao lado dela, quando não, sentia-se muito insegura. Ironicamente, desde criança, tinha o dom de usar suas mãos para massagear outras pessoas, livrá-las de dores e cansaços. Ao fazer isso, não pensava em quem estava tocando, focava-se no feito. Sua mãe propagava isso para as amigas com muito orgulho, e quase sempre apareciam “clientes” para aproveitar suas mãos mágicas. Isso lhe rendia alguns trocados e favores. Não tinha um preço fixo, recebia o que lhe fosse ofertado.