Certa feita, o Rei quis brincar com sua corte, preparou um jantar diferente, sem nenhum propósito visível, a não ser o deleite de todos, inclusive o seu. Só que sua preocupação maior, não era degustar os pratos maravilhosos da sua cozinha real, e sim deliciar-se com os gozos de sua corte. Propositalmente, decorou a sala de jantar de forma a instigar os sentidos sexuais de sua contida corte, queria liberá-los de seus “deveres morais” como se liberta perfumes de seus frascos. Escolheu cores fortes, rosas vermelhas e obras de arte com conotação sexual, sem que isso fosse perceptível demais, afinal os queria livres, não envergonhados do que tudo aquilo os causava, o despertar de suas libidos. Ordenou que para o jantar fosse usada uma longa e estreita mesa, em que só coubessem os pratos e taças de seus convidados, e que estes chegassem, se assim desejado, a tocar o outro com seus pés, mas que isso não fosse um caos, mas trouxesse uma aproximação com estas pessoas.
Ele conhecia cada nobre, cada desejo mais obscuro, era o seu dom, olhar e perceber o desejo mais contido, a luxúria mais negada. Ele sentia isso no olhar, no movimento que o peito fazia durante a respiração, por traz de todos aqueles panos. Dispôs assim, cada casal separado na mesa, ninguém questionou, era a vontade do rei. Cada um sentado de frente àquele que lhe despertava forte desejo sexual, ou mais, àquele a quem, ele sabia, tinha em algum momento, ou ainda o fazia, sucumbido a romances secretos.